ARQUIBANCA. Para quem é fã de futebol e também para quem não é.
Semana passada escrevi sobre a vergonhosa partida entre Brasil e Argentina pelas eliminatórios sulamericanas da Copa 2010, na África do Sul. Duas potências do futebol, que juntas detêm sete títulos mundiais. Ela se tornou ainda mais vergonhosa porque naquele 18 de junho de 2008 completou-se 30 anos da Batalha de Rosário. Quem nasceu depois de 1977 deve estar se perguntando: que ” Batalha de Rosário” é essa? Bem, vamos voltar no tempo.
1978. Depois de 28 anos, o continente sulamericano recebia uma copa do mundo, com sede na Argentina. Era um tempo negro, manchado de sangue, e os “hermanos”, assim como nós, viviam sob uma ditatura covarde, sangrenta e sem escrúpulos. O carrasco que liderava o regime argentino era o General Jorge Videla. Detalhe: ele acompanhou todos os jogos da seleção argentina.
Naquele tempo, as fases da Copa eram diferentes. Tinha a fase inicial, quatro grupos com quatro seleções. Os dois primeiros de cada grupo passariam a fase final, onde foi formado dois grupos com quatro seleções. Os dois primeiros colocados diputariam a final e os dois segundos ficariam para disputar o terceiro lugar.
Brasil e Argentina classificaram-se em segundo lugar, nos seus respectivos grupos. E no cruzamento para a fase final, os dois caíram na mesma chave. Em vez do jogo entre os dois escretes ser disputado em Buenos Aires, no Monumental de Nuñes, ele foi para a cidade de Rosário e jogado no campo do time da cidade, o Rosário Central.
O estádio é um caldeirão. Perfeito para a Argentina e sua apaixonada torcida. Bem, os dois times, antes de se cruzarem, já tinham realizado o primeiro jogo da fase final, o Brasil tinha batido o Peru, e a Argentina tinha passado pela Polônia. Só que o Brasil apresentava um saldo de gols maior do que o time anfitrião. A vitória da Argentina era vital para as suas pretensões no torneio. Não que a vitória brasileira não fosse, mas o empate seria melhor para a nossa seleção.
O jogo começa e logo no primeiro minuto, Luke, o truculento e maldoso atacante argentino, dá uma botinada no Batista, um dos craques que compunha o meio-de-campo brasileiro. O Brasil não se intimidou, prevendo essa guerra campal, Claudio Coutinho, técnico brasileiro, escalou Chicão (ele jogava no São Paulo, eu vi ele jogando) no meio-de-campo. Chicão foi para o jogo não por causa da sua avançada técnica, ele entrou em campo também bater a fim de conter a animosidade argentina. Rolou porrada para todo lado e o juíz nada fazia porque estava sob o olhar atento do General Jorge Videla. A partida seguiu assim até os 35 minutos do segundo tempo, cada time teve sua oportunidade de marcar. O jogo, que literalmente foi uma verdadeira batalha, terminou sem abertura do placar.
A Batalha de Rosário, como ficou conhecida esta partida entre Brasil e Argentina na Copa de 78, foi um jogo feio, foi um jogo dentro de um ambiente político conturbado, foi um jogo lamentável pela pancadaria, porém foi um Brasil e Argentina. Um jogo com a rivalidade à flor da pele, um jogo com espírito de Brasil e Argentina, um jogo que entrou para a história da Copa do Mundo. Eu, no auge dos meus 7 anos de idade, tive a oportunidade de ver a partida em casa. Minha paixão por futebol já era imensa naquela época, depois daquele dia, ficou maior.
Seleção brasileira (titulares e reservas) que disputou a Copa de 1978: Leão, Carlos, Valdir Perez, Toninho Cerezo, Nelinho, Oscar, Abel, Polozzi, Amaral, Edinho, Rodrigues Neto, Dirceu, Batista, Gil, Jorge Mendonça, Zico, Roberto Dinamite e Zé Sergio. Técnico: Claudio Coutinho.